Moradores da área de Embu das Artes manifestaram surpresa e preocupação ao tomarem conhecimento de que a concessão da Raposo Tavares para a iniciativa privada inclui a construção de uma nova via ligando a Raposo à Régis Bittencourt. O projeto estima uma via de quatro faixas, com canteiro central, atravessando regiões de mata preservada e impactando diretamente comunidades locais.
A empresa EcoRodovias, vencedora do leilão da Nova Raposo, é a responsável através da execução da obra. O traçado exato da nova via ainda será definido, mas o projeto estima uma opção que partiria do centro de Cotia, passando através da Avenida Dr. Odair Pacheco Pedroso, Avenida Ecologista João de Oliveira Ramos de Sá e Estrada Henrique Franchini, até chegar à Régis. Outro trajeto proposto, faria essa ligação mais próxima da estrada da Barragem, atingindo a Reserva Florestal do Morro Grande em Cotia e regiões de mata de Itapecerica da Serra.
O Jornal Cotia Agora postou matérias sobre o assunto, na visão do arquiteto Fernando Confiança. Leia:
Conforme o Manifesto Ambiental Embu-Itapecerica Contra Nova Raposo, produzido através da SEAE (Sociedade Ecológica Amigos de Embu) e através da ONG Preservar Ambiental, essa nova estrada pode resultar na derrubada de milhares de metros quadrados de vegetação nativa, afetar cursos d’água essenciais para os mananciais da área e interromper corredores ecológicos usados por diversas espécies da fauna local.
“Estudos técnicos já comprovaram a presença de pelo menos 19 espécies de mamíferos nessa região. A fragmentação do habitat e o aumento do tráfego de veículos podem levar à redução dessas populações e ao comprometimento da biodiversidade local”, afirmou Rodolfo Almeida, conselheiro da SEAE.
Além dos danos ambientais, moradores também indagam a falta de transparência e participação do povo no processo. Apesar de o governo estadual já estar trabalhando na concessão existe quase um ano, não houve audiências públicas em Embu das Artes, Cotia ou Itapecerica da Serra. “Não se trata apenas de uma rodovia, mas de uma mudança estrutural na dinâmica urbana e ambiental da região. A população local sequer foi consultada sobre um projeto que pode impactar sua qualidade de vida de forma irreversível”, afirmou Adriana Abelhão, representante da ONG Preservar Ambiental.
Outro momento de preocupação dos ambientalistas é a falta de visibilidade que o tema tem recebido na mídia. “Estamos muito preocupados que a imprensa não tem repercutido os danos ambientais às cidades de Cotia, Embu e Itapecerica, ficando limitada a discutir a questão dos pedágios ou os impactos na parte mais urbana do trajeto, próximo a São Paulo. Isso deixa a população diretamente afetada desinformada sobre os riscos reais dessa obra”, afirmou Ricardo Moraes Simi, presidente da SEAE.
Organizações ambientais e movimentos locais, como o Nova Raposo Não, reforçam a necessidade de soluções sustentáveis para a mobilidade urbana que incluam alternativas de transporte de massa e respeito ao meio ambiente. A mobilização da sociedade civil cresce em redes sociais e através de um abaixo-assinado disponível online.
Outras informações poderão ser descobertas no perfil do movimento no Instagram da NRN (@novaraposonao), SEAE (@seaembu) e Preservar (@preservarambiental).
Fonte: Jornalcotiaagora

